terça-feira, 25 de agosto de 2026

Há mais de um mês sem jogar com a camisa do Santos, Robinho Jr. busca passaporte italiano


Atacante do Santos viaja à Itália para regularizar a documentação em meio a sondagens de clubes europeus e da seleção italiana


O passaporte italiano pode mudar os próximos passos da carreira do atacante Robinho Jr. Liberado pelo Santos, o jogador de 18 anos viaja à Itália para resolver questões relacionadas à emissão do documento e ao seu domicílio no país.

A cidadania italiana será obtida por meio da mãe, Vivian Guglielmetti, que já possui a nacionalidade. A movimentação ocorre justamente quando o jogador desperta o interesse de clubes europeus e enfrenta um período de pouco espaço no Santos: ele não entra em campo desde 21 de julho.

Genoa, da Itália, Sevilla e Rayo Vallecano, ambos da Espanha, estão entre os clubes que já demonstraram interesse no empréstimo do atacante. Robinho Jr. também teria sido consultado sobre a possibilidade de defender as categorias de base da seleção italiana, embora ainda não exista uma convocação oficial.

Para a advogada Ana Carolina Campara Brittes, CEO da Campara Cidadania, Vistos & Viagens, especialista em direito migratório e integrante da Comissão de Cidadania Italiana da Associação Brasileira de Advogados (ABA), o caso mostra como uma documentação que muitas famílias deixam para depois pode se tornar decisiva diante de uma oportunidade profissional.

``Não é o passaporte que concede a cidadania. O passaporte é um documento de viagem e identificação emitido para quem já possui a condição de cidadão italiano devidamente reconhecida ou adquirida. Primeiro é necessário regularizar o status jurídico, os registros civis e a situação cadastral. Somente depois vem a emissão do documento´´, explica Ana.

Cidadania e passaporte não são a mesma coisa

Embora as expressões sejam frequentemente utilizadas como sinônimas, cidadania e passaporte representam etapas diferentes. A cidadania é o vínculo jurídico entre a pessoa e o Estado italiano. O passaporte é um dos documentos que comprovam essa condição e permitem o exercício de direitos relacionados à circulação internacional.

Para quem reside fora da Itália, também pode ser necessário manter atualizada a inscrição no AIRE — Cadastro de Italianos Residentes no Exterior — além da transcrição dos atos de nascimento e de outras informações do estado civil em um município italiano.

``Uma pessoa pode ter o direito à cidadania ou até já ser reconhecida como italiana e ainda não possuir o passaporte. A emissão depende da conclusão e da atualização das etapas anteriores. Por isso, quando se fala em ‘regularizar o passaporte’, é importante verificar exatamente em que fase está o processo´´, esclarece a advogada.

No caso de Robinho Jr., as informações divulgadas até agora indicam que ele ainda precisa ajustar os trâmites relacionados à dupla cidadania e à emissão do documento. Sem acesso ao processo e às certidões da família, entretanto, não é possível afirmar qual enquadramento jurídico será aplicado.

Documento derruba barreiras no futebol europeu

Além de facilitar viagens, o reconhecimento da cidadania italiana pode ter impacto direto sobre a carreira do jogador. Como cidadão de um país da União Europeia, Robinho Jr. poderá, em regra, circular, residir e trabalhar nos demais países do bloco sem depender dos mesmos procedimentos migratórios exigidos de um atleta brasileiro sem cidadania europeia.

No futebol, essa diferença também pode pesar nas negociações. Clubes europeus precisam observar regras nacionais e esportivas relacionadas à inscrição de jogadores estrangeiros e, em determinadas competições, à quantidade de atletas considerados extracomunitários.

``A cidadania italiana pode retirar uma barreira burocrática importante. O jogador passa a ser tratado como cidadão europeu para fins de circulação e trabalho dentro da União Europeia, embora continue sujeito às normas de contratação, transferência e inscrição de cada federação e campeonato. O passaporte não garante um contrato, mas pode tornar a negociação mais simples e ampliar o número de clubes interessados´´, afirma a doutora Ana.

A possibilidade é especialmente relevante porque o Genoa demonstrou interesse no atacante, enquanto Sevilla e Rayo Vallecano avaliam uma eventual contratação por empréstimo. O Santos, de acordo com as informações divulgadas, está aberto a uma negociação com equipes do exterior.

Nova lei exige análise do histórico familiar

A obtenção da cidadania por filhos e descendentes de italianos passou por mudanças importantes com a Lei nº 74, aprovada pela Itália em 2025. A nova legislação restringiu a transmissão automática da cidadania para pessoas nascidas fora do país e que já possuem outra nacionalidade.

Entre as exceções previstas estão os casos em que o pedido foi apresentado até 27 de março de 2025; quando o pai, a mãe ou um dos avós possui ou possuía exclusivamente a cidadania italiana; ou quando um dos pais viveu legalmente na Itália por pelo menos dois anos contínuos depois de adquirir a cidadania e antes do nascimento ou da adoção do filho.

A legislação também criou procedimentos específicos para filhos menores de cidadãos italianos. Por isso, a data em que a cidadania da mãe foi reconhecida, a idade do descendente naquele momento e a situação dos registros familiares podem alterar o caminho aplicável.

``Ter mãe italiana pode abrir ao filho o caminho para o reconhecimento da cidadania. A análise do histórico familiar permite identificar a via adequada e organizar as etapas necessárias para regularizar a documentação. Mesmo depois das mudanças na legislação, muitas famílias continuam tendo caminhos possíveis para conquistar a cidadania italiana´´, explica a doutora Ana.

Seleção italiana depende de outras regras

A regularização da cidadania também pode permitir que Robinho Jr. seja considerado pela Federação Italiana de Futebol, conhecida pela sigla FIGC em italiano. Segundo as informações publicadas, houve apenas uma sondagem preliminar para saber se o atleta teria interesse em defender as equipes de base da Itália.

A cidadania é um requisito indispensável, mas o passaporte, sozinho, não garante que um jogador possa atuar por uma seleção nacional. A federação e a Federação Internacional de Futebol (Fifa) precisam analisar a nacionalidade do atleta, o vínculo familiar com o país e seu eventual histórico de participação por seleções de outra associação.

``A cidadania italiana amplia significativamente as possibilidades de um atleta no futebol europeu e também pode abrir o caminho para uma futura representação da Itália. Com a documentação regularizada, a federação poderá analisar os requisitos esportivos previstos pela Fifa. É uma oportunidade que passa a existir e que pode transformar uma trajetória profissional´´, afirma a advogada.

Em 2027, a Eurocopa Sub-21 será disputada na Albânia e na Sérvia e servirá como classificatória para os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028. A competição torna a movimentação das seleções de base ainda mais relevante.

O caso deixa um alerta que ultrapassa o futebol

``Muitas famílias só procuram regularizar a cidadania quando surge uma proposta de trabalho, uma vaga em uma universidade ou uma transferência profissional. O problema é que reconhecimento, transcrição de documentos, atualização cadastral e emissão do passaporte podem exigir tempo. Quando a oportunidade aparece, a documentação já deveria estar pronta´´, conclui a doutora Ana Carolina Campara Brittes.






Fonte: CM Press

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