sexta-feira, 12 de junho de 2026

Paulo Sérgio vê Brasil pressionado, mas lembra conquistas improváveis e mantém esperança para a Copa de 2026


Às vésperas da estreia do Brasil na Copa do Mundo, o ex-atacante da seleção brasileira Paulo Sérgio admite que o Brasil ainda precisa evoluir para se consolidar entre os principais candidatos ao título. Em entrevista exclusiva ao Wettbasis, site parceiro do Somos Fanáticos, o campeão mundial em 1994, ex-jogador do Corinthians e do Bayern de Munique, avaliou que a equipe comandada por Carlo Ancelotti vive momento de construção, mas ressalta que a história da seleção mostra que o favoritismo prévio nem sempre foi determinante para o sucesso.

França mais estável, mas ‘Brasil é Brasil’

Ao analisar o atual estágio da seleção brasileira, Paulo Sérgio citou a recente derrota para a França como um indicativo de que a equipe ainda busca maior consistência, especialmente no setor ofensivo.

Segundo o ex-atacante, os franceses demonstram hoje um nível de estabilidade superior ao do Brasil, embora isso não diminua o peso histórico da camisa verde e amarela.

``Espero, como todos os brasileiros, uma boa Copa do Mundo. Vimos o jogo contra a França, não fomos tão bem. A França está mais estável no ataque do que nós no momento. Mas, de qualquer forma: Brasil é Brasil´´, afirmou.

Jejum de 24 anos aumenta pressão

Paulo Sérgio também chamou atenção para o longo período sem títulos mundiais da seleção. O Brasil não conquista uma Copa desde 2002 e chegará ao torneio de 2026 acumulando exatamente 24 anos de espera — o mesmo intervalo que separou os títulos de 1970 e 1994.

Para o ex-jogador, a pressão sobre o elenco será enorme, tornando fundamental a união em torno do trabalho de Carlo Ancelotti.

``Esperamos muito tempo para ser campeões mundiais novamente. Esperamos 24 anos antes de 1994, exatamente como agora. Mas os rapazes precisam estar altamente concentrados. A pressão no Brasil é gigantesca. Eles precisam apoiar firmemente o treinador´´, disse.

Na avaliação do campeão mundial, a dependência excessiva de um único atleta pode se tornar um problema para a seleção.

``Caso contrário, tudo vai depender do Neymar. O Neymar é o jogador-chave hoje, vamos ver o que acontece´´, completou.

Lições de 1970, 1994 e 2002

Apesar das dúvidas em torno da equipe atual, Paulo Sérgio lembrou que algumas das campanhas mais vitoriosas da história do futebol brasileiro começaram cercadas de questionamentos.

O ex-atacante revelou uma conversa que teve com Pelé sobre a preparação para a Copa de 1970. Segundo ele, nem mesmo a equipe considerada uma das maiores de todos os tempos carregava o status de favorita absoluta antes do torneio.

``Fico muito no Brasil e, há alguns anos, conversei com o Pelé — que Deus o tenha. Ele me contou que em 1970, quando os rapazes foram para a Copa, a pressão existia, mas eles não eram os favoritos absolutos antes do torneio´´.

Paulo Sérgio destacou ainda que o mesmo cenário se repetiu nas campanhas vitoriosas de 1994 e 2002. Na sua visão, a ausência de favoritismo pode até ajudar a reduzir a pressão sobre o grupo.

``Em 1994, nós também não éramos favoritos. Em 2002, as críticas antes do torneio a Ronaldo, Ronaldinho e Kaká eram enormes — e, mesmo assim, os caras conseguiram´´.

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